domingo, 24 de junho de 2018

MEUS PAIS NÃO ME AMAM

Antigamente, as famílias na Campanha Gaúcha eram grandes. Independente da classe social, os casais geralmente tinham muitos filhos e era fácil encontrar famílias com 10, 12, 15 membros. Uma das provas disso são os diversos casarões, com vários cômodos encontrados na zona urbana e rural de nossos municípios. Também existiam numerosos ranchos e pequenas casas tanto no campo, quanto na cidade, onde residiam dezenas de pessoas da mesma família. O pai geralmente trabalhava fora e o cuidado da casa e dos filhos normalmente cabia à mãe. Esta por sua vez, por ser muito atarefada, geralmente não conseguia manter o controle total  sobre os filhos. Sendo assim, era normal que os filhos mais velhos cuidassem dos mais novos. No entanto, por mais que se esforçassem, não era nada fácil, para que esses pré-adolescentes educassem uma criança. Também existia muito conflito entre os irmãos, fazendo com que os pais tivessem que interferir e dar uns “paratiqueto”, que consistiam em tundas de chinelo, de cinto, de vara e de relho.
Normalmente, o pai não costumava bater nos filhos, a não ser, quando eles faziam alguma arte ou quando a mãe ou vizinhos faziam queixa. Dificilmente um pai batia numa filha, pois o encargo de alinhar as gurias cabia à mãe.
Essa foi uma época difícil, de muitas adversidades, onde a maioria das crianças começava, desde muito cedo, a trabalhar e ter responsabilidades.  As circunstâncias forçavam-nas a se tornarem adultas prematuramente, impedindo-as de brincar e curtir a infância em sua plenitude. Esse duro cenário fez com que muitos desses pequenos se tornassem adultos secos e turrões, com uma dificuldade descomunal em expressar seus sentimentos. Entretanto, isso não significa que eles não amem, pelo contrário, amam e muito, somente sua linguagem de amor é diferente.  Demonstram seu afeto por nós não com palavras, e sim através de pequenos gestos como: preparar aquele café ou chimarrão que tu gostas, cozinhar aquele carreteiro ou “arroz de china pobre” que tu adoras, assar aquele churrasco de costela gorda que tu amas...
Portanto, caro leitores, nossos pais nos amam bastante e merecem todo nosso carinho e atenção. Aproveite-os enquanto estão ao seu lado e ame-os infinita e incondicionalmente.
“Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá”. (Êxodo 20:12)
“Ouça, meu filho, a instrução de seu pai e não despreze o ensino de sua mãe. Eles serão um enfeite para a sua cabeça, um adorno para o seu pescoço”. (Provérbios 1:8-9)
“Ouve teu pai, que te gerou, e não desprezes tua mãe, quando vier a envelhecer.” (Provérbios 23:22).
“Filhos, obedeçam a seus pais em tudo, pois isso agrada ao Senhor”. (Colossenses 3:20)

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