segunda-feira, 2 de julho de 2018

PAULO BROSSARD DE SOUZA PINTO

Paulo Brossard, com Ulysses Guimarães à sua frente
Foto acervo site "Perspectiva online"

Paulo Brossard de Souza Pinto nasceu em Bagé-RS, em 23 de outubro de 1923. Filho de Francisco de Souza Pinto e de Alilla Brossard de Souza Pinto e neto materno de Julian Brossard, uruguaio apaixonado por política migrado para o Brasil no século 19. Além de Paulo, o casal Francisco e Alilla teve mais três filhos:Rui, Renê e Gilda.Francisco era proprietário da Ferragem Souza Pinto. Nesse local, Brossard conheceu o grande político rio-grandense, Joaquim Francisco de Assis Brasil. Quando ainda criança, serviu-lhe um copo d’água.Mais tarde, aos oito anos e seis meses, Brossard perde a mãe, ficando órfão, sendo criado posteriormente por suas tias.
Subsequentemente,realizou seus estudos iniciais nos colégios:Espírito Santo e Nossa Senhora Auxiliadora.
Após, deu continuidade aos mesmos em Porto Alegre, onde cursou o Pré-Jurídico (1941/1942) e, posteriormente, a Faculdade de Direito, na hoje UFRGS. Entre 1946/1947 atua como solicitador. Em 29 de outubro de 1947, perde seu pai, poucos meses antes de sua formatura. Cola grau em Direito, com 23 anos, e inscreve-se na OAB sob n.º 1 403.
Ainda quando estudante conheceu Leonel Brizola e, mais tarde, por meio de Barbosa Lessa, conhece Raul Pilla, de quem herda e passa a defender a doutrina Parlamentarista.
Em 28 de agosto de 1950, contrai matrimonio com a Lúcia Alves, também advogada. 
Foi proprietário da Fazenda Santa Genoveva, localizada na estrada da Serrilhada, interior de Bagé, estabelecimento onde desenvolveu por vários anos diversas atividades agropecuárias. 
Brossard, tão logo formado, começou a exercer a advocacia. Junto com ela, também desenvolveu atividades jornalísticas e políticas.
Em agosto de 1945, em Bagé, filia-se ao Partido Libertador. Posteriormente, por força de lei, filia-se ao MDB e, finalmente, ao PMDB.
Nas eleições de 1947 e 1950, concorre a deputado estadual, mas, não se elege. Finalmente, é eleito deputado estadual em 1954, conseguindo reeleições em 1958 e 1962. Em 1964, no governo de Ildo Meneghetti, é nomeado para o cargo de secretário do Interior e Justiça. Em 1966, é eleito deputado federal. Em 1970, candidato ao senado, é derrotado por Daniel Krieger. Em 1974, é eleito senador, vencendo a Nestor Jost.
Em 1978, faz parte da chapa do general Euler Bentes Monteiro (presidente) e Paulo Brossard (vice-presidente), concorrem contra general João B. Figueiredo e Aureliano Chaves à presidência da República, quando foram derrotados por 355 votos contra 266.
Em 1982, concorre à reeleição ao Senado, mas é derrotado por Carlos Chiarelli. Brossard considerava naquele momento, encerrada sua participação ativa na vida política do país.
Em 1985, integrou a Comissão Afonso Arinos, quando foi elaborado o anteprojeto constitucional, como subsídio à Assembleia Constituinte.
Ocupou os seguintes cargos públicos: Consultor geral da República (1985 / 1986); Ministro da Justiça (1986 / 1989); Juiz do Tribunal Superior Eleitoral (1989); vice-presidente do STE (1991); presidente (1992); ministro do Superior Tribunal Federal (1989 /1994).
Deixou o STF por motivo de aposentadoria em 24 de outubro de 1989.
Em Porto Alegre, desenvolveu por longa data, suas atividades jurídicas em seu escritório denominado: “Escritório Brossard,Ioiovitch Advogados Associados”.
Recebeu, ao longo de sua vida, as mais variadas homenagens e distinções.
Foi autor de diversos livros, publicando as seguintes ooras, a maioria durante o mandato de senador: É Hora de Mudar; 31 de Março Promessas e Realidades; As Mãos do General; Chega de Arbítrio; Eleição Presidencial; Evocando o Poncho Verde; Glorificação de Um Perseguido; Ideias Politicas de Assis Brasil; Impeachment; Maquinaria Agricola; Mordomias; No Centenário de João Mangabeira; O Ballet Proibido; O Senado e as Relações Argentino– Brasileiras; O Sequestro dos Uruguaios; Oposição; Os Descaminhos da Revolução; Recolhendo as Velas; Soja; Uns São Mais Iguais Que os Outros.
Foi por vários anos colunista do jornal “Zero Hora”, de Porto Alegre.
Faleceu no dia 12 de abril de 2015, em Porto Alegre, deixando a esposa Lúcia e filhos: Magda, Rita e Francisco.

Fontes:

http://www.jornalfolhadosul.com.br/noticia/2015/04/13/paulo-brossard-morre-aos-90-anos
https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2015/04/confira-sete-momentos-da-trajetoria-do-jurista-paulo-brossard-4738297.html
http://www.livronautas.com.br/ver-autor/236/paulo-brossard
https://www.institutomillenium.org.br/convidados/paulo-brossard/

segunda-feira, 25 de junho de 2018

O BRASÃO MUNICIPAL NOS CAMINHÕES DE COLETA DE LIXO

Caminhão privado de recolhimento de lixo 
 e o Brasão da Prefeitura Municipal de Bagé



A maioria das prefeituras do Brasil não possui coleta de lixo própria. Em Bagé, não é diferente, o poder público terceiriza o serviço, contratando via licitação uma empresa especializada para a realização da referida tarefa. Conforme estabelecido em edital, a contratada deve fornecer a mão de obra e o maquinário próprio necessário para a execução do trabalho. Sendo assim, não faz sentido que a mesma use o brasão da prefeitura municipal em seus caminhões que presta o dito serviço, visto ser uma firma privada e não pública. Visando esclarecimentos sobre tal procedimento, entrei em contato com os representantes legais tanto da contratada, como da contratante, que responderam que não vêem problema algum nisso, visto que nos caminhões consta a seguinte inscrição: “A Serviço da Prefeitura de Bagé”. Acontece que o brasão sobrepõe, e em muito, o dizer e induz a população a supor involuntariamente que o serviço é do município e não terceirizado. Não estou aqui para criticar e sim para colaborar para que esse equívoco seja resolvido o quanto antes, para que Bagé venha se tornar de fato “uma nova cidade”.

TUMBEIRO

Antigamente, era comum aparecer numa estância um gaúcho com intenção de descansar no galpão, por uma temporada, enquanto seu cavalo engordasse um pouco, solto em uma invernada. A esse tipo de gaúcho dava-se o nome de “tumbeiro”. Eram homens de bons antecedentes e de boa conduta, amadurecidos na luta pela vida, talvez infelizes em seus antigos amores. Vítimas do destino, viviam sós. Suas posses resumiam-se no cavalo encilhado. Gozando da vida livre, cortavam campos e estradas afora, passando de pago em pago com a esperança e a ilusão de ainda fazerem querência. Eram conhecidos dos peões ou do próprio patrão. Acertado com o patrão e com licença de invernar o cavalo, o tumbeiro valia-se do aconchego do galpão por um ou dois meses. Não assumia responsabilidade nos trabalhos cotidianos da estância, nem era remunerado. A troco da hospedagem fazia serviços gratuitos, cocho ou cancela. Fazia cabo para machado, sovava couro cru ou lonqueava para fazerem cordas. Além disso, ajudava nos rodeios, banhos de gado ou recoluta. O patrão aceitava de bom grado, porque nada tinha que desembolsar, só a comida. Mas, naqueles tempos, nas estâncias, a despesa com o sustento nem era levada em conta. Findo o prazo estipulado, o tumbeiro pedia que trouxessem seu cavalo da invernada. Prendia-o no palanque por alguns dias, para adelgaçar. Depois, cortava-lhe os cascos, aparava a cola pelo machinho e emparelhava o toso da crina. No dia da partida, encilhava o pingo com toda a pachorra. Ponche emalado, cola atada, mala de garupa embaixo dos pelegos, com uma muda de roupa, laço nos tentos e pala por cima dos arreios com ambas as pontas caídas, uma de cada lado. Depois, já meio pachola, após um banho na sanga, em roupas domingueiras, ia despedir-se do patrão, da família e demais serviçais da casa. Feitos os cumprimentos de praxe, de chapéu na mão o vivente, já mais familiarizado com o patrão, arriscava um gracejo: ''Desculpe alguma brincadeira de mau gosto''. Já de chapéu posto, o gaúcho encaminhava-se para o palanque. Desatava o cabresto, colocando parte dele embaixo dos pelegos, emparelhava as rédeas e, rápido, pondo o pé no estribo, alçava a perna, enforquilhando-se galhardamente nos arreios e saía a trote chasqueiro. Na estância, ficavam comentando que iriam sentir um vazio com a ausência do tumbeiro. Era guapo, alegre e serviçal. Homem para o que desse e viesse. O próprio patrão era do parecer que o gaúcho permanecesse por mais tempo em seu galpão. Mas o tumbeiro parecia marcado pelo destino. Tinha de cumprir a missão de viver como um índio vago. E, talvez, morrer com a sina do cavalo: velho e solteiro.
O tumbeiro foi eternizado por meio da música de mesmo nome, composta pelo cantor Mano Lima:
Sou tumbeiro e isso me agrada/Viver de estância em estância/Assim vou cumprindo a sina/ Que trago desde criança. Reconforta minha alma/ Andar pelo pago meu/Pois pingo, pata e cordeona/ Foi tudo que Deus me deu. Patrão me dê uma pousada/ Me deixe desencilhar/ Quem sabe tem alguma lida que eu possa lhe ajudar/ Sou ginete, sou tropeiro, sou até esquilador/E quando me sobra um tempo/ Pego a gaita e sou cantor. Não pergunte de onde eu venho/ nem tão pouco quem eu sou/ Se minha estampa não lhe basta/ Monto à cavalo e me vou.”


 

Fontes:

Gonçalves, Raul Annes. “Mala de Garupa - Costumes Campeiros”, Martins Livreiro, 1999.112 p.

HISTÓRIA DA MÚSICA "NA BAIXADA DO MANDUCA" - NOEL GUARANY

Como bem destaquei neste espaço, em janeiro do ano passado, Noel Guarany esteve na Rainha da Fronteira, na década de 1970, participando da Semana Crioula de Bagé e visitando amigos, entre eles, o saudoso Gaspar Pereira Silveira. Este tinha uma estância localizada em Vichadero, no Uruguai e administrava outra fazenda em Jaguarão Chico - Aceguá, que era de propriedade de sua sogra, Maria de Lourdes Gonçalves Leão, ambas as fazendas frequentadas por Noel.  E foi provavelmente numa dessas estâncias que ele teria composto a música “Na baixada do Manduca”, que eternizou alguns locais e personagens da nossa região: “O chinaredo lá da estância (Rancho de las Flores – Vichadero)/Se "aprepara" já faz dias/Segundo Siá Basilícia (folclore missioneiro)/Vai trazer várias famílias/Prá escutar o dom Ortaça (Pedro Ortaça) /E o gaiteiro Malaquias (Reduzino Malaquias)/E o cantor da bossoroca (o próprio Noel Guarany)/Que canta com galhardia. E dê - lhe mate pelos cantos/No compasso da chamarra/Entra Juca e sai Manduca/E dê - lhe cordeona e guitarra. Jaguarão Chico (Estância Biriva) e Vichadero (Estância Rancho de las Flores)/Se alvorotou a peonada/Do caseiro ao capataz/Todos de bota ensebada/E o careca Zaragosa (Creca Zaragoza –ginete e domador)/Nem liga prás gineteada. A prendinha Ana Luiza (Ana Luíza Pereira Martins)/ Filha do nosso patrão (Gaspar Pereira Silveira, na época patrão do Centro Nativista Gaspar Silveira Martins)/Já encargo água de cheiro/Vinda de outros rincão/E um delantal colorado (lenço vermelho)/Partido de sua opinião (Partido Colorado-Uruguai).
Interessante destacar, que o título da canção é uma referência à antiga “baixada” (rua Salgado Filho – bairro São José), onde ficavam localizados os cabarés de Bagé, caminho por onde Gaspar e amigos passavam quando iam para Vichadeiro. A música “Na baixada do Manduca” foi imortalizada no LP “Payador, Pampa e Guitarra” (1976), disco patrocinado pelo Centro Nativista Gaspar Silveira Martins.

FONTES:

http://www.jornalfolhadosul.com.br/noticia/2017/01/21/noel-guarany-o-guitarreiro-das-missoes
https://www.letras.mus.br/noel-guarany/849979/

O DESCASO COM OS CEMITÉRIOS DE CAMPANHA




Fotos do Cemitério dos Anjos, Bagé-RS

“No dia em que eu morrer/Façam festa com fartura/Não quero muita tristeza/Nem caixão de tábua dura. Quero bem curtinha as vela/Velório meio às escura/Me enterrem num campo aberto/Quero só gado por perto/E nego bom não se mistura”. Esses versos do cantor “Crioulo dos Pampas” resumem bem o desejo da maioria dos antigos moradores da Campanha Gaúcha, que foram sepultados em cemitérios rurais. Acontece que boa parte dos familiares responsáveis pelos túmulos desses defuntos, não está nem um pouco preocupada com isso e está levando aos poucos, os restos mortais dos seus “entes queridos” para cemitérios urbanos, com a única finalidade de tornar cômodo, seus cuidados para com eles. Atitudes como essa, além de desrespeitosas, contribuem bastante para que os cemitérios rurais aos poucos fiquem esquecidos. Em minhas andanças campanha adentro, perdi as contas de quantos “campos santos” encontrei desprotegidos (sem cercas), sujos, cobertos pela vegetação, com túmulos destruídos ou violados, servindo de abrigo para o gado, moradia para zorrilhos, tatus e abelhas. A realidade é que a grande maioria dos cemitérios de campanha está totalmente abandonada e se os familiares das pessoas que ali estão enterradas, não se importam, tão pouco o poder público. Portanto, caros leitores, está mais do que na hora de unirmos esforços para mudar esse cenário e criarmos ações a fim de conservar esses importantes locais, que guardam a memória e a história da nossa gente. Já dizia meu velho pai: “Quer saber a história, visite um cemitério”.

Fonte:

https://www.letras.mus.br/baitaca/1479248/

TOPONÍMIA REGIONAL: VAUTHIER - DOM PEDRITO

Gustave-Charles Vauthier - Foto acervo site "Belgian Club"

No distrito de Torquato Severo, interior de Dom Pedrito, existe uma localidade com nome de “Vauthier”, nome de uma antiga estação ferroviária da linha Livramento/São Sebastião, que homenageia um engenheiro belga que trabalhou na construção de diversas ferrovias brasileiras.
Gustave-Charles Vauthier nasceu no dia 11 de janeiro de 1861, em Bruxelas, Bélgica. Depois de formar-se como "Ingénieur des ponts et chaussées" (Engenheiro de pontes e estradas) em 1884, na Universidade de Gent, começou a trabalhar para a "Compagnie du Chemin de Fer du Grand Central Belge". Em 1887, liga-se à "Compagnie du Congo pour le Commerce et l'Industrie" (C. C. C. I.) e mudou-se para este país (Congo), onde foi investigar a rota da futura estrada de ferro Matadi - Leopoldville.
As empresas belgas, "Compagnie des Chemins de Fer Sud-Ouest Brésilien" e, posteriormente, a "Compagnie Auxiliaire des Chemins de Fer au Brésil" trouxeram de 1891 a 1914 vários engenheiros e técnicos belgas, entre os quais Adolphe Lekeu, Cambier, Vander Perre, Van Nonnenberg, Lionel Wiener, Joseph Demaret, Léon Sévérin e Gustave Vauthier, para a construção e a gestão de estradas de ferro no Paraná e Rio Grande do Sul.  
Vauthier trabalhou para a "Compagnie des Chemins de Fer Sud-Ouest Brésilien" em Ponta Grossa, Paraná; na construção da linha entre Santa Maria e Cruz Alta e da estrada de ferro São Paulo/Rio Grande do Sul. Lá conheceu sua futura esposa, Maria da Conceição Ribas. O casal teve quatro filhos Suzanna, Helena, Alice e Alfredo.
Por duas vezes, exerceu o cargo de diretor-geral da "Auxiliaire" (1898/1910 e 1919/1920).
Radicou-se na cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul, onde a Companhia montou seu centro de operações. 
Vauthier reclamava continuamente dos minguados e indecisos investimentos; e da falta de visão e de confiança no futuro do Brasil por parte dos capitalistas e administradores de Bruxelas. 
No auge de sua carreira, após quase 20 anos de serviço recebeu mais de 30 contos de réis, além de outras vantagens e regalias.
Em 1905, convidou seu cunhado Manuel Ribas para se estabelecer em Santa Maria, para assumir a direção do armazém de fornecimento aos seus funcionários, o Economat. Manuel Ribas foi um dos fundadores da Cooperativa dos Funcionários da Viação Férrea em 1913, desempenhando a função de gerente até 1920, e daí em diante como diretor-geral. Foi também o criador da Escola Técnica de Artes e Ofícios para os filhos dos ferroviários, além de um Hospital da Cooperativa. Em 1928, foi eleito prefeito de Santa Maria, função que ele ocupou até 1932. Depois foi convidado por Vargas a ser governador do estado do Paraná.
Gustave Vauthier era figura conhecida e respeitada na sociedade local e tornou-se amigo do então presidente da Província, Antônio Augusto Borges de Medeiros. Foi o idealizador e construtor da Vila Belga em Santa Maria. Também participou como consultor técnico na comissão construtora da nova Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição. Uma placa comemorativa na entrada da catedral menciona “A perpetua memória: Esta igreja começada a 8/12/1902, consagrada a 5/12/1909, elevada a cathedral a 15/8/1910 foi levantada pelo povo e esforços da seguinte comissão: dr. Gustave Vauthier”.
Por inúmeras vezes, o pessoal técnico e a infraestrutura da Companhia foram colocados à disposição da comunidade. Foi o caso das obras de ampliação do pé direito da Igreja de Silveira Martins (quarta colônia) quando, “graças aos potentes macacos importados da Bélgica pelo doutor Gustavo Vauthier, diretor da Companhia Ferroviária Belga, conseguiu manter intacta a armação do telhado, limitando os trabalhos apenas a descer as telhas”.
Vauthier manteve-se frente à Companhia até 1918, quando passou a ocupar o cargo de representante dos interesses belgas até a encampação definitiva da Auxiliare pelo Estado do Rio Grande do Sul, em 1920. No mesmo ano, retornou para Ponta Grossa, terra natal de sua esposa, onde faleceu em abril de 1923.
Vauthier foi cônsul belga em Porto Alegre, de 10 de maio de 1917 até o dia do sua morte.
Além da estação ferroviária de Dom Pedrito, inaugurada em 17 de fevereiro de 1923; Vauthier foi homenageado com nome de rua na Vila Belga, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul (rua Doutor Wauthier, escrito com W ao invés de V).
Infelizmente, no final da década de 1970, a linha Livramento/São Sebastião foi desativada, sendo a estação Vauthier demolida e os trilhos do ramal retirados.

Fontes:


http://belgianclub.com.br/pt-br/creator/vauthier-gustave-1861-1923


ROMEU VALTRICK

Romeu Waltrick - Foto acervo Ana W. Ribas


Romeu Amarante Waltrick, filho de Henrique Oliveira Waltrick e Adalgisa Amarante Waltrick, nasceu a 11 de setembro de 1924, em Painel, Santa Catarina, sendo o décimo-primeiro entre 12 irmãos. Foi o único filho a sair de Santa Catarina, vindo servir o exército em Porto Alegre, em 1942. Por um tempo, prestou serviço de topografia em uma firma construtora de estradas em Hulha Negra, na época, Rio Negro. Retorna a Porto Alegre após o término da obra e, novamente, vem para Hulha Negra prestar serviços de topografia em uma mina de carvão por meio do DACM (Departamento Autônomo de Carvão Mineral).
Em 1950, casa com Cecy Madeira Waltrick, filha de Justino (Tino) Madeira e Leontina Dourado Madeira, ele produtor rural e comerciante de carnes na localidade.
Seu trabalho como topógrafo foi muito reconhecido por sua capacidade técnica e dedicação, tendo atuado nos municípios de Bagé, Caçapava do Sul, Lavras do Sul, Pinheiro Machado, Dom Pedrito, tanto na medição de campos propriamente dita, como no nivelamento de lavouras de arroz.
Durante o período em que residiu na Hulha Negra foi muito atuante como líder, tendo sido o primeiro presidente da comissão pró-construção da Igreja da Paróquia de São José nessa localidade.
Junto com outros representantes locais, entre eles, o saudoso capitão Hugo Canto, liderou o primeiro movimento emancipacionista de Hulha Negra.
Foi o responsável pela demarcação dos lotes da Colônia Salvador Jardim, iniciada em 14/03/1964, quando 23 famílias se tornaram proprietárias, adquirindo as terras da empresa Guaibarroz, cujo principal proprietário era o Sr. Nestor de Moura Jardim, dando o nome de seu pai à nova colônia. Consta numa publicação da época dos 25 anos de formação da colônia que Romeu Waltrick, além de realizar os serviços de topografia, foi um grande incentivador desse empreendimento.
Em 1963, transferiu residência para Bagé, para dar continuidade aos estudos de seus filhos, continuando a prestar serviço como autônomo e também para a Prefeitura Municipal de Bagé. Seu trabalho era reconhecido como de extrema confiabilidade, atuando também como perito para o Fórum de Bagé.
Após a aposentadoria, continuou trabalhando com a mesma disposição, só interrompendo suas atividades com idade avançada, quando apresentou limitações pela saúde já abalada. Seu último trabalho foi a confecção do mapa da localidade de São Martim, delimitando a área de abrangência da Estratégia da Saúde da Família, talvez para deixar marcado o trabalho desenvolvido por sua filha, doutora Ana Luiza Waltrik Ribas, nessa comunidade durante 15 anos.
Morreu em 15 de julho de 2006, prestes a completar 82 anos de idade, deixando os filhos Ana Luiza Waltrik Ribas e Justino Henrique Madeira Waltrik; e os netos Rodrigo, Fernanda e Ricardo Waltrik Ribas, Mariana Goulart Budó Waltrik Dias e Eduardo Goulart Budó Waltrik.

Fonte: 
Revista Comemorativa ao Jubileu de Prata da Colônia Salvador Jardim, 1989, CECOM-URCAMP, 32 p.