quinta-feira, 18 de agosto de 2016

ANNA: A GRANDE PAIXÃO DE OSÓRIO

Quando, em 1828, Osório estava servindo como 2º tenente no 5° Regimento de Cavalaria em Rio Pardo, criado como “Dragões do Rio Grande do Sul”, mas que se consagrou na história como “Dragões do Rio Pardo”. Houve durante uma parada, um desfile militar, que impressionava e atraía a admiração da população da Vila de Rio Pardo.
Os jovens oficiais encantavam com sua farda azul: túnicas com dragonas, fechada por um carreiro de botões numa faixa amarela, assim como os punhos; calções até os joelhos, botas polidas, espadim ao lado, capacete adornado de um penacho do qual saía o cabelo comprido, amarrado por uma fita. Eram moços ardorosos, elegantes, faceiros, determinados a morrerem pelo seu Deus, pela Pátria e por sua amada. Foi esse o  ambiente que Osório encontrou em meio à oficialidade solteira, precedido pela fama de herói de vários combates e de uma batalha. Destacava-se ainda, pela elegância do seu porte másculo, atraente e persuasivo, com sua veia poética brotando liricamente do seu cérebro privilegiado.
Vivia Rio Pardo suas horas de ufania, horas de evocações gloriosas. Dizia o dragão: “Tudo aqui é velha história, poeira de mortos que o nosso pé levanta em cada passo”.
Assim era Rio Pardo, “Ninho de Águias”. Primeira praça militar do interior do Rio Grande do Sul, berço histórico das tradicionais famílias rio-grandenses.
Chegou o dia da grande parada militar. De súbito ouve-se o toque de cornetas, o rufar dos tambores, o som ecoante dos sinos da Igreja Nossa Senhora do Rosário. Eis que surge o esquadrão de lanceiros, conduzindo suas bandeirolas tremulantes como um “bando de borboletas vermelhas”, refletindo ao sol, avançando num trepidar de cascos, num palpitar de crinas. A multidão emocionada explodiu de admiração e lenços esvoaçaram, drapejando, numa demonstração de orgulho pátrio aos dragões que passavam, garbosos, no seu fardamento de cores vivas, fisionomias queimadas, destros nas selas.
Ali, vinha o tenente Osório, o jovem guerreiro, estampa hercúlea, expressão serena, aberto de placidez e bondade. Sobressaía-se majestoso, pela sua jovialidade dos 20 anos. Cavalo e cavaleiro, numa atitude airosa, galhardo, expandindo júbilo de orgulho jovial.  Anna penetra na sua alma jogando-lhe uma flor que trazia no bico do pequeno decote. Para ela, o moço ambicionaria amor. Anna estava toda vestida de branco, e Osório prendeu sua imagem suave, num relampejar de olhos: esbelta, risonha, beleza incomparável, olhos negros, transluzentes, bailando na retina.
Passou o desfile dos bravos, expoentes da varonilidade da Pátria, acolhidos com ovações entusiásticas pela multidão que aplaudia os estandartes dos dragões em desfile memorável.
O tenente Osório guardara as feições daquela jovem de atraente formosura que enlaçara seu coração à primeira vista. Para ele, a joia de Rio Pardo.
E aconteceu o baile animado desde o primeiro momento e dançavam, aos sons dos instrumentos, as mazurcas tremidas, as havaneiras balanceadas, as polcas de relação, as polcas de damas e o ritmo das valsas em espiral volteavam e rodopiavam os pares.
Osório dançava com Anna. Esse era seu nome, coincidentemente, o nome da sua mãe. Dançavam de par efetivo, ela,  com seus 17 anos, airosa e leve como uma pluma. Viviam os dois o seu primeiro amor. À meia-noite, como de costume as moças mudavam de vestidos, moda que chegou até os anos de 1930/40.
Presente ao baile, o Marechal de Campo, Sebastião Barreto Pereira Pinto, comandante das armas, herói da Batalha do Passo do Rosário e padrinho de Anna.
A paixão invadiu e tomou conta dos corações daqueles jovens. Mais, era um deslumbramento aquele amor, um desabrochar inquietante de um sentimento espontâneo e sério. Osório e Anna se amavam verdadeiramente. 
Osório e Anna se amavam verdadeiramente. Mas os seus pais não faziam gosto e proibiram-na de se encontrar com Osório. Em vão. Não permitiria - diziam - que um tenente que só ganhava 25 $000 mil réis pudesse casar com sua filha de família abastada. Se ela insistisse, eles conseguiram que seu padrinho, comandante das Armas, destacasse Osório para bem longe, na fronteira.
Fora, então, o tenente Manoel Luís Osório transferido para um ponto de guarda na fronteira de Quaraim. Todavia, a grande paixão e o pesar de perder seu grande amor, afloraram em sua poesia, que a chamou “Lília”, deixando-lhe de despedida, estes versos:

“Por entre o fado escuro,
Que a minha paixão se lança.
Eu vou perdendo a esperança
Entre as sombras do futuro:
Constância, ó Lilia, eu te juro
Mas fora melhor não ver-te,
Quisera não conhecer-te,
Por ti não sentir paixão,
Porque no meu coração,
Já sinto a dor de perder-te”.

O tenente Osório no seu destacamento solitário de Quaraim, (Barra de Quarai) continuava a escrever para a sua Lília. Na casa desta, em Rio Pardo, uma escrava mexendo nas gavetas do seu toucador encontrou as cartas, levando ao conhecimento do seu senhor. Como eram pais possessivos trataram logo de fazê-la casar com um parente endinheirado. E, quando algum amigo íntimo tentava interceder em defesa de Anna, eles respondiam: -“Queremos que Anna se case bem. O que lhe pode dar esse tenente Osório? Martírio e pobreza. Lucro único que aufere a mulher que casa com soldado. Mandaram-lhe fazer um enxoval luxuoso com a intenção de satisfazer sua vaidade e apresentá-la à sociedade com o mais apurado requinte”.
Osório desolado, no seu posto longínquo, dava evasão à saudade, escrevendo poesia à sua Lília:

"Perde o tempo à negra ausência
Trabalha o ciúme em vão;
Não há tormento que apague
A minha ardente paixão”.

Passaram-se os meses e o tenente Osório não recebia notícias de Anna. Sentado à porta do seu rancho de palha, viu um vulto se aproximar a cavalo. Ao chegar, ficou sabendo tratar-se de um chasque enviado por sua apaixonada. O próprio passou-lhe às mãos uma carta, que trazia enrolada em panos. Osório abriu-a e leu. Era de Anna. Nessa missiva, ela narrava às peripécias que estava vivendo, obrigada a casar com quem não amava, que só ia lhe trazer infelicidade e terminava suplicando-lhe:
“Se me amas, vem buscar-me; fugirei contigo. Acompanhar-te-hei para qualquer parte do mundo. Não tenho outro meio de evitar essa violência que me parece realizar-se de um momento para outro. Atende. Não demores. Não demores que podes chegar tarde. Ou o teu amor, ou a morte por quem chamo todos os dias, no meio das muitas desventuras”.
Ao terminar a leitura, Osório observou que a data estava atrasada de mais de mês. Perguntou ao portador a razão da demora. Explicou que adoecera no caminho pelas alturas da atual Cacequi; e como trazia ordem de entregá-la pessoalmente, teve de esperar melhorar sua saúde.
Osório tinha a percepção aguçada e logo lhe veio o pressentimento que chegaria atrasado ao chamamento de Anna. Na mesma tarde, fez voltar o portador com uma carta avisando-lhe que o esperasse, incluindo a poesia abaixo:

“Aperta amorosos laços
Em vez de chamar a morte,
Muda a minha infeliz sorte.
Chama teu bem, dá-lhe os braços”.

Mas não se conteve. Passou o comando do pelotão ao seu substituto e seguiu para Rio Pardo, acompanhado por dois soldados levando cavalos de muda. Não se enganara. Chegara tarde. Anna, sua Lília querida estava casada. Frustrado e triste regressou ao seu posto, curtindo sua dor, a pior, aquela que lanha a alma com a lâmina do amor ferido.
Anna durou poucos anos. Quando lhe foram amortalhar, descobriram uma tatuagem na epiderme do lado do coração, feita por uma sua mucama com as inicias: ML.

FONTES:Figueiredo, Osório Santana. “General Osório – O Perfil do Homem”, São Gabriel, Pallotti, 2008. 216 p.



UMA BARONESA INTERNACIONAL

Morei anos em Candiota e sempre fui ligado ao meio rural. Quando me mudei para Bagé, ouvi falar de uma fazenda com o nome bastante curioso: “Estância da Baronesa”. Comecei, então, um longo processo de investigação, que se estendeu por mais de nove anos, quando dezenas de pessoas foram entrevistadas. Mas foi somente em 2014 que descobri elementos mais concretos sobre o tema. Primeiramente, soube que não existe somente uma, mas duas propriedades com esse nome; uma situada na margem direita do Arroio São Luis, no território Uruguaio “La Baronesa de San Luis” e outra no Ponche Verde, interior de Dom Pedrito. Consultando o livro “Antigas Fazenda do Rio Grande do Sul”,  de Lourdes Noronha Pinto, descobri que a última fazenda se chama, na realidade, “Estância São Luís” e que, nos primórdios, era de propriedade de Leopoldo Antunes Maciel, bacharel pela faculdade de Direito de São Paulo, presidente da Câmara Municipal em Pelotas, presidente do Centro Abolicionista de São Paulo, vice-presidente da Província do Rio Grande do Sul e comandante superior da Guarda Nacional. Pelos seus serviços prestados ao Império ganhou o título de barão de São Luís, por decreto de 5 de julho de 1884. Através de Leopoldo, cheguei a meu objetivo: a baronesa de São Luis. Trata-se de Cândida Gonçalves Moreira, que passou a honrar o titulo quando contraiu matrimônio com o referido barão, em 7 de abril de 1874. Dessa união, nasceram 11 filhos. Depois do falecimento de Leopoldo, em 5 de maio de 1904, Cândida teve que conciliar, por 30 anos, a criação dos filhos, com a administração de uma casa em Pelotas e duas estâncias, uma no Uruguai e outra no Brasil. Quando estava nesta última, as pessoas, ao invés de dizer: “Vamos à Estância São Luís visitar a Cândida”, assim se referiam: “Vamos lá ver a baronesa, vamos visitar a baronesa, vamos à baronesa”. E foi assim que Cândida influenciou na toponímia pedritense e uruguaia. A baronesa de São Luís morreu em 13 de agosto de 1922, com 68 anos de idade.

Fontes: Lopes, Cássio Gomes e Lucas, Edgard Lopes. “A Rainha da Fronteira – Fragmentos da História de Bagé”, Bagé, Pallotti, 2015. 183 pág.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Livro "A Rainha da Fronteira - Fragmentos da História de Bagé"


Livro "A Rainha da Fronteira - Fragmentos da História de Bagé"

Nesse livro você encontrá capítulos que abordam a história de Bagé, Aceguá, Dom Pedrito e Hulha Negra:

- Redutos Jesuíticos em Dom Pedrito;
- A Dança das Guardas;
- Palanca de Pedra - O Marco Desconhecido do Reconhecimento da Fronteira com do Império;
- Piraí Estratégico;
- Considerações sobre a Guerra da Tríplice Aliança em Bagé;
- Local de Nascimento do General Antônio de Souza Netto;
- O Combate do Rincão do Inferno;
- Uma Baronesa Internacional - História de Cândida Gonçalves Moreira;
- Galvão José de Souza - O ordenança do Duque de Caxias;
- Ângelo Dourado - O baiano que fez história em Bagé;
- Torquato Severo - O Bravo dos Bravos;
- O Carvão das Palmas e o Mercado Público;
- Padaria Continental - A mais antiga de Bagé;
- Pérolas da Segunda Guerra Mundial:
* O bageense que salvou a vida de 1.500 expedicionário brasileiros,
* Entre o amor e a Guerra - História de Arlindo Nogueira e Ondina Marimon,
- Boneval Copa do Mundo;
- Colaboração para a origem do nome "Bagé".


Livro novo, lacrado. Edição 2015. Formato 16x23, 184 páginas. Ilustrado com fotos e mapas. Produção independente.

VALOR: R$50,00
FRETE para fora de Bagé: por conta do comprador.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

MADEIRAS E TRONCOS PETRIFICADOS

Quando se fala em madeira e troncos petrificados, o primeiro lugar que lembramos é a cidade de Mata, na região central do Rio Grande do Sul. No entanto, esse material não é exclusividade somente desse território. 
Em minhas andanças campanha adentro, encontrei madeiras, cavacos e troncos petrificados em Pedras Altas (Arroio Mau e São Diogo), Candiota (Assentamento do Cerro) e Aceguá (Rincão dos Cravos e Espantoso). 

Tronco petrificado, encontrado no Assentamento do Cerro, interior de Candiota. 

Tronco petrificado, encontrado no Arroio Mau, interior de Pedras Altas.


Em busca de maiores informações a respeito, levei uma pequena amostra para professores e mestrandos do curso de geologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), que estavam realizando estudos em Bagé, os quais me informaram de que o material se tratava de um fóssil de árvore (lenho fóssil) da era Paleozóica, com aproximadamente 200 milhões de anos. Segundo estes profissionais, a madeira petrificou, pois sofreu a penetração de silício em suas entranhas; o que, com o tempo, mineraliza e cristaliza internamente. Entretanto, para um exame mais detalhado, seria necessário que viesse até nossa região um pesquisador universitário, coletasse o material e o levasse para ser analisado em um laboratório, procedimento inviável pelo seu elevado custo. Portanto, as madeiras e troncos petrificados são  uma realidade e devem ser minuciosamente estudados para que no futuro venham a se tornar mais um atrativo turístico em nossa região. 


quarta-feira, 20 de abril de 2016

OS SEIVAIS

A metade sul do Rio Grande do Sul foi, por séculos, fronteira entre Portugal e Espanha. Para delimitar o território de cada reino, foram assinados vários acordos, entre eles: Tratato de Tordesilhas (1594), Tratado de Madri (1750) e Tratado de Idelsoso (1777). Sendo que a Região da Campanha Gaúcha, na maioria desse tempo, fora de domínio espanhol. Pois bem, “seibo” é o termo utilizado pelos hispânicos para denominar uma árvore, comum de banhados, que aqui conhecemos como “corticeira”. Sua flor é um dos símbolos do município de Bagé e flor-símbolo do Uruguai e da Argentina. Em nossa Região alguns acidentes naturais foram denominados em razão da existência em abundância dessa planta: Arroio Seival, em Candiota e Arroio Seival, em Caçapava do Sul. Em ambos os locais, aconteceram combates. No primeiro, travou-se um confronto entre as forças rebeldes de Antônio de Souza Netto contra as tropas legalistas de João da Silva Tavares, no dia 10 de setembro de 1836, durante a Revolução Farroupilha, que culminou com a Proclamação da República Rio-Grandense. No segundo deu-se um embate no dia 25 de novembro de 1926, entre as tropas rebeldes comandadas pelos irmãos Alcides e Nelson Etchegoyen contra as forças governistas que tinham entre seus líderes o então intendente de Alegrete, Oswaldo Aranha, durante a Revolta Tenentista. Cabe destacar que, além do nome, existe outra semelhança bem interessante que, em ambos episódios, os governistas foram vencidos pelos revolucionários, em desvantagem numérica. Finalizo salientando que as informações destacadas nesse artigo visam exclusivamente elucidar e diferenciar ambos os fatos.

VENDEDORES AMBULANTES DE DOCES

Quem nunca na vida passou por um vendedor ambulante de doces e não ficou com água na boca ao ver suas sacolas de náilon ou de lona repletas de apetitosas guloseimas? Até o final da década de 1990, eram dezenas deles; hoje, restam apenas alguns, que superaram corajosamente dificuldades e quebraram paradigmas ao se adaptarem ao Mundo globalizado que vivemos. Procurando saber um pouco mais sobre o trabalho desses profissionais, recentemente parei um deles numa rua no centro de Bagé. Trata-se do senhor Luis Carlos Idacir Lemos, que exerce a função há trinta e quatro anos e mesmo após ter se aposentado, não largou o ofício. Relatou-me Lemos que, outrora, tinha mais onze colegas, que atuavam no Litoral Norte, Litoral Sul e alguns municípios da Região da Campanha. E que geralmente se hospedavam nas cidades pólos, em pensões, alojamentos ou casas de uso coletivo, onde compartilhavam, não só do chimarrão e alimentos, bem como sonhos e projetos. Também me contou que percorriam diariamente, a pé, quilômetros pelos bairros das cidades, para vender seus produtos, a maioria oriundos de Pelotas, entre eles: Passa de pêssego, figada, goiabada, pessegada, marmelada, abobrada, cocada, quindim, panelinha de coco, medalhão de doce de leite, fios de ovos, beijo alemão, queijadinha, rapaduras de amendoim, de leite e surtida etc... Finalizo este artigo, salientando que, devido a fatores econômicos, políticos, culturais e o aumento do uso da tecnologia no setor produtivo, muitas profissões deixaram de existir e, antes que o ofício de vendedor ambulante de doces venha a fazer parte desta listagem, deixo aqui meu singelo registro.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

DESTRUIDORA DE PATRIMÔNIO HISTÓRICO

No final do primeiro semestre de 2004, a Votorantim Celulose e Papel (VCP) comprou o Complexo Agropastoril Ana Paula e abarrotou os 14,5 mil hectares da propriedade de eucaliptos e acácias, desconfigurando o bioma pampa, transformando-o num “deserto verde”. Uma das estâncias do complexo, a “Aroeira”, ficava no território de Candiota e abrigava diversas sedes de estâncias antigas, algumas centenárias. O que era para ser conservado foi cruelmente destruído e metros e metros quadrados que guardavam a memória de gerações foram colocados abaixo, sem piedade, através de potentes tratores de esteiras. Nada foi poupado: coberturas, aberturas, pisos e acabamentos viraram um montão de entulhos e foram soterrados. Só restaram o arvoredo e as quintas como recordação de um tempo que, infelizmente, não volta mais. E pior que o caso não é isolado, pois a VCP demoliu várias sedes de estâncias antigas em outros municípios da Campanha Gaúcha. Seja qual for o motivo, nada justifica tal barbárie contra o patrimônio histórico do Rio Grande do Sul. Atualmente, a área da “Aroeira” pertence a uma multinacional chilena, produtora de celulose, que há mais dois anos, vem sofrendo constantes furtos de materiais de construção do único conjunto de casas e galpões que restou. Por essas e tantas outras razões, a Votorantim Celulose e Papel foi um fracasso e, ao invés de progresso, trouxe a destruição para nossa região.