quinta-feira, 2 de junho de 2016

Livro "A Rainha da Fronteira - Fragmentos da História de Bagé"


Livro "A Rainha da Fronteira - Fragmentos da História de Bagé"

Nesse livro você encontrá capítulos que abordam a história de Bagé, Aceguá, Dom Pedrito e Hulha Negra:

- Redutos Jesuíticos em Dom Pedrito;
- A Dança das Guardas;
- Palanca de Pedra - O Marco Desconhecido do Reconhecimento da Fronteira com do Império;
- Piraí Estratégico;
- Considerações sobre a Guerra da Tríplice Aliança em Bagé;
- Local de Nascimento do General Antônio de Souza Netto;
- O Combate do Rincão do Inferno;
- Uma Baronesa Internacional - História de Cândida Gonçalves Moreira;
- Galvão José de Souza - O ordenança do Duque de Caxias;
- Ângelo Dourado - O baiano que fez história em Bagé;
- Torquato Severo - O Bravo dos Bravos;
- O Carvão das Palmas e o Mercado Público;
- Padaria Continental - A mais antiga de Bagé;
- Pérolas da Segunda Guerra Mundial:
* O bageense que salvou a vida de 1.500 expedicionário brasileiros,
* Entre o amor e a Guerra - História de Arlindo Nogueira e Ondina Marimon,
- Boneval Copa do Mundo;
- Colaboração para a origem do nome "Bagé".


Livro novo, lacrado. Edição 2015. Formato 16x23, 184 páginas. Ilustrado com fotos e mapas. Produção independente.

VALOR: R$50,00
FRETE para fora de Bagé: por conta do comprador.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

MADEIRAS E TRONCOS PETRIFICADOS

Quando se fala em madeira e troncos petrificados, o primeiro lugar que lembramos é a cidade de Mata, na região central do Rio Grande do Sul. No entanto, esse material não é exclusividade somente desse território. 
Em minhas andanças campanha adentro, encontrei madeiras, cavacos e troncos petrificados em Pedras Altas (Arroio Mau e São Diogo), Candiota (Assentamento do Cerro) e Aceguá (Rincão dos Cravos e Espantoso). 

Tronco petrificado, encontrado no Assentamento do Cerro, interior de Candiota. 

Tronco petrificado, encontrado no Arroio Mau, interior de Pedras Altas.


Em busca de maiores informações a respeito, levei uma pequena amostra para professores e mestrandos do curso de geologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), que estavam realizando estudos em Bagé, os quais me informaram de que o material se tratava de um fóssil de árvore (lenho fóssil) da era Paleozóica, com aproximadamente 200 milhões de anos. Segundo estes profissionais, a madeira petrificou, pois sofreu a penetração de silício em suas entranhas; o que, com o tempo, mineraliza e cristaliza internamente. Entretanto, para um exame mais detalhado, seria necessário que viesse até nossa região um pesquisador universitário, coletasse o material e o levasse para ser analisado em um laboratório, procedimento inviável pelo seu elevado custo. Portanto, as madeiras e troncos petrificados são  uma realidade e devem ser minuciosamente estudados para que no futuro venham a se tornar mais um atrativo turístico em nossa região. 


quarta-feira, 20 de abril de 2016

OS SEIVAIS

A metade sul do Rio Grande do Sul foi, por séculos, fronteira entre Portugal e Espanha. Para delimitar o território de cada reino, foram assinados vários acordos, entre eles: Tratato de Tordesilhas (1594), Tratado de Madri (1750) e Tratado de Idelsoso (1777). Sendo que a Região da Campanha Gaúcha, na maioria desse tempo, fora de domínio espanhol. Pois bem, “seibo” é o termo utilizado pelos hispânicos para denominar uma árvore, comum de banhados, que aqui conhecemos como “corticeira”. Sua flor é um dos símbolos do município de Bagé e flor-símbolo do Uruguai e da Argentina. Em nossa Região alguns acidentes naturais foram denominados em razão da existência em abundância dessa planta: Arroio Seival, em Candiota e Arroio Seival, em Caçapava do Sul. Em ambos os locais, aconteceram combates. No primeiro, travou-se um confronto entre as forças rebeldes de Antônio de Souza Netto contra as tropas legalistas de João da Silva Tavares, no dia 10 de setembro de 1836, durante a Revolução Farroupilha, que culminou com a Proclamação da República Rio-Grandense. No segundo deu-se um embate no dia 25 de novembro de 1926, entre as tropas rebeldes comandadas pelos irmãos Alcides e Nelson Etchegoyen contra as forças governistas que tinham entre seus líderes o então intendente de Alegrete, Oswaldo Aranha, durante a Revolta Tenentista. Cabe destacar que, além do nome, existe outra semelhança bem interessante que, em ambos episódios, os governistas foram vencidos pelos revolucionários, em desvantagem numérica. Finalizo salientando que as informações destacadas nesse artigo visam exclusivamente elucidar e diferenciar ambos os fatos.

VENDEDORES AMBULANTES DE DOCES

Quem nunca na vida passou por um vendedor ambulante de doces e não ficou com água na boca ao ver suas sacolas de náilon ou de lona repletas de apetitosas guloseimas? Até o final da década de 1990, eram dezenas deles; hoje, restam apenas alguns, que superaram corajosamente dificuldades e quebraram paradigmas ao se adaptarem ao Mundo globalizado que vivemos. Procurando saber um pouco mais sobre o trabalho desses profissionais, recentemente parei um deles numa rua no centro de Bagé. Trata-se do senhor Luis Carlos Idacir Lemos, que exerce a função há trinta e quatro anos e mesmo após ter se aposentado, não largou o ofício. Relatou-me Lemos que, outrora, tinha mais onze colegas, que atuavam no Litoral Norte, Litoral Sul e alguns municípios da Região da Campanha. E que geralmente se hospedavam nas cidades pólos, em pensões, alojamentos ou casas de uso coletivo, onde compartilhavam, não só do chimarrão e alimentos, bem como sonhos e projetos. Também me contou que percorriam diariamente, a pé, quilômetros pelos bairros das cidades, para vender seus produtos, a maioria oriundos de Pelotas, entre eles: Passa de pêssego, figada, goiabada, pessegada, marmelada, abobrada, cocada, quindim, panelinha de coco, medalhão de doce de leite, fios de ovos, beijo alemão, queijadinha, rapaduras de amendoim, de leite e surtida etc... Finalizo este artigo, salientando que, devido a fatores econômicos, políticos, culturais e o aumento do uso da tecnologia no setor produtivo, muitas profissões deixaram de existir e, antes que o ofício de vendedor ambulante de doces venha a fazer parte desta listagem, deixo aqui meu singelo registro.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

DESTRUIDORA DE PATRIMÔNIO HISTÓRICO

No final do primeiro semestre de 2004, a Votorantim Celulose e Papel (VCP) comprou o Complexo Agropastoril Ana Paula e abarrotou os 14,5 mil hectares da propriedade de eucaliptos e acácias, desconfigurando o bioma pampa, transformando-o num “deserto verde”. Uma das estâncias do complexo, a “Aroeira”, ficava no território de Candiota e abrigava diversas sedes de estâncias antigas, algumas centenárias. O que era para ser conservado foi cruelmente destruído e metros e metros quadrados que guardavam a memória de gerações foram colocados abaixo, sem piedade, através de potentes tratores de esteiras. Nada foi poupado: coberturas, aberturas, pisos e acabamentos viraram um montão de entulhos e foram soterrados. Só restaram o arvoredo e as quintas como recordação de um tempo que, infelizmente, não volta mais. E pior que o caso não é isolado, pois a VCP demoliu várias sedes de estâncias antigas em outros municípios da Campanha Gaúcha. Seja qual for o motivo, nada justifica tal barbárie contra o patrimônio histórico do Rio Grande do Sul. Atualmente, a área da “Aroeira” pertence a uma multinacional chilena, produtora de celulose, que há mais dois anos, vem sofrendo constantes furtos de materiais de construção do único conjunto de casas e galpões que restou. Por essas e tantas outras razões, a Votorantim Celulose e Papel foi um fracasso e, ao invés de progresso, trouxe a destruição para nossa região.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

COMBATES SINGULARES: "ANDRADES NEVES X MANOEL LUCAS DE OLIVEIRA"

    Andrades Neves         Manoel Lucas de Oliveira


Corria o mês de maio de 1843 quando aconteceu a surpresa de Ponche Verde, em Dom Pedrito, durante a Revolução Farroupilha, um dos últimos planos de Bento Gonçalves, quando resolveu levar o ataque às tropas imperiais comandadas por Bento Manoel Ribeiro.

Os rebeldes atacaram com energia, em cargas sucessivas de cavalaria sobre as hostes inimigas, com maior ímpeto sobre a ala direita, levando por diante a cavalaria desse flanco e redemoinhando, afinal, vitoriosos, em torno da posição contrária, que resiste bravamente, com apoio em dois blocos de infantaria de 300 homens cada, e a cuja sombra se abrigam, por vezes.

Durante o entrevero e sob a fumaça e a poeira dos recontros, o Coronel Manoel Lucas de Oliveira, no decurso do primeiro embate da tropa equestre, divisou, num relance, a soberba figura de Andrade Neves, cuja arte de montar fazia inveja a muitos dos mais consumados cavaleiros da época; com quase dois metros de altura, fazia malabarismos com o sabre e era tido como um dos melhores lanceiros do império. 

Nesse arremesso de Lucas sobre o flanco direito das hostes imperiais, de espada em punho, foi a seu contendor tendo o corpo de seu adversário como alvo sinistro de seu destino; porém, Andrade Neves, mais rápido ainda, como um relâmpago na preservação da vida, girou o seu cavalo, esquivando-se do golpe mas, seu chapéu voou pelos ares e ficou, à guisa de troféu, na ponta da espada de seu antagonista. Ato contínuo, tentou ainda revidar o ataque mas o esquadrão do Coronel Manoel Lucas de Oliveira já se ia adiante, na sua faina arrasadora.

FONTE:

LOPES, João Máximo. “Habilidades Campeiras nas Guerras do Sul”, Porto Alegre, Evangraf/Núcleo de Pesquisas Históricas de Camaquã, 2012. 128 p.

segunda-feira, 30 de março de 2015

PARADA PONS – ESTÂNCIA SANTA ÚRSULA



Estância Santa Úrsula - Parada Pons

A conhecida “Parada Pons” encontra-se distante de Bagé 26 km, em território pedritense.
A sua origem vem do imigrante espanhol Martin Pons. Adquiriu ele uma pequena fração de campo, de uns 20 hectares, onde construiu um rancho de torrão. Ali inicia sua família na beira do caminho que une Lavras do Sul a Bagé. Devido à localização tornou-se parada de carretas que transportavam gêneros alimentícios, madeira, carvão, batata doce, arames e outras mercadorias. Também naquele local paravam as diligencias que faziam o transporte de passageiros. Como “parada”, fornecia alimentação e pousada para os viajantes.

Mais tarde foi construída uma casa mais próxima da estrada, e, Martin B. Pons na esquina da casa instalou um armazém. Sua esposa Maria Ana Borrel, era quem tomava conta do negócio, vendendo tecidos e objetos de armarinho. Já com algum capital economizado, ele compra as carretas e bois com todas as mercadorias. Tem-se noticia que chegou a invernar 400 bois de tração.

                                          Antigo Armazém-Parada Pons

Com muito trabalho educa seus filhos. Alguns tomam destinos diferentes, mas o primogênito Martim Pons Filho assume seus negócios. Com muita vocação para o comercio, constrói ele um armazém mais distante da casa da família.

Algum tempo depois, doa uma área para instalação da “Estação Pons”. Com o sucesso de seus empreendimentos adquire muitas outras áreas de campo, onde entre elas está situada a Estância Retiro. Nessa região chegou a reunir em torno de 10 mil hectares. Com o passar do tempo às subdivisões e as heranças fizeram com que a área atual se encontre com cinco mil hectares.

Com sua morte passa às mãos de seu neto Martim de Macedo Pons, que dá seqüência à atividade pecuária, desfazendo, porém, o armazém o qual foi a origem do negócio anterior. Nas redondezas adquiriu outras estâncias entre elas a Estância “Mimosa”, hoje “São Martim”. De Martim de Macedo Pons passam as terras para Dirceu dos Santos Pons. Foi Dirceu grande apaixonado pela raça de cavalos Crioulos, dedicando-se com muito interesse ao criatório. É de sua autoria o livro “Cavalo Crioulo – História de uma raça”.

A “Parada Pons” chegou a receber a denominação de Estância “Santa Úrsula”, nome da mãe de seu “Zizinho”, mas o estabelecimento continuou conhecido sempre pelo nome primeiro. A propriedade atualmente é administrada por Fernando Dornelles Pons, quinta geração da família e casado com Lúcia Mascarenhas Pons. O casal possuiu trisavô comum: Martin B. Ponz. São pais de:
- Fernanda, casada com Custódio Moreira Magalhães, cujos filhos são Sophia, Artur e Pedro, constituindo a sétima geração.
- Cristiana.

A estância dedica-se à criação de Aberdeen-Angus e cavalos Crioulos. Na agricultura pratica o plantio de sorgo, soja, milho e aveia.
Hoje a estância “linda” com:
- ao norte com Celi Borges Severo e Nazário Amor Lorenzo;
- a leste com Jovir Perondi e Galvão Caminha;
- ao sul com Aluízio Sá Vieira e Sucessão Darcy Nogueira;
- ao oeste com Sucessão Vicente Macedo Saraiva.

FONTE:

FONTES, Carlos; VIEIRA, Yara Maria Botelho. "As Estâncias Contam a História",  Santa Maria, Pallotti, 2005. 216p.